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Governo do Piauí vai vender a R$ 350 o hectare de terras

/ 14 de jun 2019

O presidente do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), Chico Lucas, declarou que os políticos não irão intervir ou ter influência na regularização de terras no Piauí. Ele informou que o Governo do Estado vai vender terras públicas por R$ 350,00 o hectare de terras nuas para regularizar as terras hoje ocupadas por fazendas, pessoas e empreendimentos.

Segundo ele, a origem da ocupação não vai ser questionada pelo Governo do Estado já que o objetivo é a regularização dos imóveis em terras públicas ocupadas e os valores do hectare de terra nua foram definidos por biomas.

Chico Lucas falou que serão regularizados 3 mil imóveis da agricultura familiar e as terras do Cerrado serão vendidas por preços abaixo do mercado para quem está ocupando atualmente.

O presidente do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), Chico Lucas. Crédito: Efrém Ribeiro

O empresário Sérgio Bortolozzo, da Federação da Agricultura do Piauí, declarou, que nos Cerrados há ainda insegurança jurídica por causa da falta de regularização das terras.

Camille Bourguignon, especialista em gestão fundiária do Banco Mundial, disse que serão regularizados mil títulos para assentamentos de reforma agrária e mais 3 mil títulos coletivos.

O presidente do Instituto de Terras do Piauí (Interpi), Chico Lucas. Crédito: Efrém Ribeiro. 

Por meio da parceria com o Banco Mundial e o Poder Judiciário, o Estado do Piauí avança na regularização fundiária e geração de renda no campo. Mais um passo importante foi dado para que as ações continuem avançando, a entrega da minuta de Projeto de Lei de que dispõe sobre a Política de Regularização Fundiária do Estado do Piauí, que ocorreu em um ato solene, na quinta-feira (13), no Palácio de Karnak, onde estiveram presentes autoridades, representantes das comunidades quilombolas e produtores rurais.

A minuta foi elaborada pelo conjunto de representantes das diversas instituições governamentais e movimentos sociais relacionadas à questão agrária no estado participantes do Conselho Consultivo do Núcleo, dentre eles, o Ministério Público Estadual (MPE-PI), a Defensoria Pública do Estado do Piauí (DPE-PI), a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Piauí e o Instituto de Terras do Piauí (Interpi).

A proposta da nova lei elaborada pelo núcleo é o aprimoramento da lei 6.709, em vigor desde 2015 e que já é considerada como inovadora.

A presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares de Estado do Piauí (Fetag), Elisângela Moura, comentou a importância dessa lei para o estado. “Essa é uma lei que estamos trabalhando para que possa facilitar o acesso da regularização fundiária dos agricultores familiares. Nós estamos aqui para potencializar e fazer com que possa funcionar, principalmente olhando para os agricultores familiares, aqueles que são posseiros, que realmente estão lá nas áreas há muito tempo e precisam de um título de regularização, até mesmo para poder ter acesso a financiamentos. Então, estamos acreditando que, com certeza, esse é um momento importante e vamos cobrar para que realmente essa minuta possa funcionar, principalmente para aqueles que mais precisam”, disse Moura.

Todo o trabalho de estudo legal, o diálogo e o estabelecimento de parcerias e diretrizes sobre a regularização fundiária vem sendo implementados pioneiramente no Piauí e colocarão o estado como o primeiro no Brasil a construir uma política fundiária digna de garantir e fortalecer a governança fundiária.

De acordo com Elisângela Moura, essa ação irá fortalecer a agricultura familiar no estado. “Sabemos que no Piauí tem muitos agricultores familiares na zona rural, assim como aqui na nossa capital, e muitos ainda moram em áreas que não têm sua regularização, ou seja, nada que comprove que são proprietários da área. Com essa minuta, vamos trabalhar para que essa situação seja ajustada. No Ceará, por exemplo, quase 90% da área fundiária está regularizada e acredito que aqui no estado, em parceria com o Banco Mundial, esse será o momento que temos que aproveitar para fazer também, dando esse olhar para os agricultores familiares”, disse a presidente.

O corregedor-geral de Justiça, desembargador Hilo de Almeida, vem acompanhando todo o processo de regularização de terras no Piauí e ajudou a elaborar a minuta que foi entregue hoje, em mãos, para a governadora em exercício Regina Sousa e será enviada à Assembleia Legislativa. Ele ressaltou o que muda com o documento.

“O Poder Judiciário do Piauí, entendeu necessário dar sua contribuição ao enfrentamento desse problema, que se arrasta há décadas: a questão da regularização fundiária no estado do Piauí. Por isso, assinamos com o Governo do Estado esse termo de cooperação técnica, no qual coube ao Tribunal de Justiça, por meio da Corregedoria, trabalhar o marco normativo que vai tratar dessa questão, ao qual nós trabalhamos ouvindo as entidades, a sociedade e produzimos uma proposta de lei. Estamos, hoje, passando para o governador que, evidentemente, depois de avaliar e estudar vai encaminhar para a Assembleia Legislativa”, disse o magistrado.

Representando o Banco Mundial, Camille Bourguignon, especialista em Administração Fundiária, falou como esse trabalho em parceria tem sido realizado. “Desde 2014, por meio do projeto Pilares do Crescimento e Inclusão Social, o Banco Mundial está apoiando o Governo do Estado na regularização fundiária e, de forma mais geral, na modernização do Interpi. Essas ações focam nos assentamentos da reforma agrária, no qual muitas pessoas não têm o título definitivo. O projeto apoia ainda a regularização dos territórios das comunidades quilombolas, um grande desafio, mas que estamos avançando na oferta dos títulos para essas comunidades. A minuta não é diretamente vinculada ao projeto, é uma necessidade que surgiu independentemente do projeto, mas dando legitimidade para nosso trabalho, que é complexo, mas com a parceria que temos e a vontade de superar esse desafio, estamos conseguindo”, disse Camille.

FONTE: MEIO NORTE

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